Arquivo do mês: novembro 2011

Pergunta

Às calçadas do centro, que com o tempo se degastam.
Estampando em seus buracos as pegadas do pedestre apresado,
que pisoteia e esmaga seus dias em passos atarefados.

Que pressa de relógio é essa: contamos segundos e não histórias?

Nas calçadas do centro quero pintar poemas, desenhar uns contos
Para contar de andanças e reformar memórias gastas em outros tempos
Que o caminhante lerá com passos de leitor errante.

Onde vivem os monstros

Viajei por muitas águas, sem monstro nenhum encontrar.
Viajei por um grande deserto, e apenas sol e areia foi o que vi.
Viajei em densa floresta, e nada veio até mim.
Ontem descobri que meus monstros são diferentes.
Não vivem pelo mundo a fora, vivem bem pertinho, aqui dentro.
Para encontrá-los não preciso fazer tão longas e incansáveis viagens.
 Nem viver tão corajosas aventuras.
Pelo contrário, é quando mais me fecho e mais covarde me sinto,
que eles aparecem.
É quando estou distante do que sou verdadeiramente e do que quero ser,
que eles reinam sobre mim.
Hoje descobri que para afastá-los, ou deles me afastar,
preciso fazer muita pouca coisa.
Não preciso de um olhar forte, por que não quero dominá-los.
Não preciso de muito conhecimento, pois não quero confundi-los.
Não preciso de força física, pois não quero machucá-los.
O que realmente preciso é só de um pouco de tranquilidade e uma noite de sono.
Um pouco de sonho.